Mas não se deve temer os mortos?

Estava eu tocando violão,
retomando após tantos anos
Jesus Alegria dos Homens
(a velha partitura amarelada,
com suas recordações,
por si só já encheria
meu poema).
Eu tocava de olhos fechados,
como toco quando me sinto bem
tocando bem.
Mas abri os olhos
e vi um lampejo
da figura de um homem,
de pé ao meu lado,
os braços cruzados,
antes que a imagem
se esvanecesse
num átimo
de segundo.
Seria a alma de um defunto?
Uma alucinação?
Alguma entidade sublunar?
Um mero efeito ótico?
Fosse o que fosse,
parecia estar apreciando a audição
e, por isso,
continuei tocando.


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